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25 de junho

Agora as minhas madrugadas estão mais suaves. Não sinto aquela pulsão por levantar da cama e escrever. Nem mais aquela dor que me atravessava as costas pelas madrugadas.

Esvaziei-me.

A certa feita determinei para mim mesma que abril, maio e junho seriam os meus “meses de ouro”. E mergulhei em mim. Durante março arrumei todas as gavetas. Enchi a garagem de tralhas que levariam mais um mês para saírem dali. Estava de mudança.

Em abril, mergulhei no fundo de minha desorganização, meu caos interior. Fazer contas, exercitar o pensamento lógico neste momento foram para mim uma atividade muito desgastante, quase um tormento. Entendi que estava abrindo a facão algumas trilhas neurais. Me sabotei em vários momentos, mas não esmoreci. Até o corpo se enrijeceu e a dor nas costas voltou, atravessando os dias, descarada.

Esta série de episódios, somada a umas sessões de terapia, traduzem maio de 2019 como o “fundo do poço” deste meu mergulho, desta minha busca pelo que havia ainda a ser curado em mim.

Nesta fase escrevi muito. É incrível como escrever me alivia as dores. Mas, pensando com os meus botões: preciso sofrer para escrever? Não seria um preço alto demais em troca de uma vocação tão bela?

O bom do fundo do poço é que lá tem uma mola. No meu poço, a mola foi um curso de final de semana sobre Narrativas de Vida, também conhecido como Jornalismo Literário.

Sinto que, a partir dali, me reconectei com minha essência e reverenciei muito do que já construí nesta vida. E não é pouco, viu?

Há mais de 20 anos, tenho paixão e talento para contar histórias de vida. Eu tenho aquele olhar que capta e o dom de escrever, transformando o ordinário em extraordinário.

Acredito que o mundo precisa disso hoje em dia. Acredito que se faz necessário um diálogo transgeracional sobre os temos que nos atravessam a todos (política, fé, valores…) e sobre os quais carecemos de referências.

Tendo atingido esta consciência (e a consciência de que é isto que me torna humana), fica cada vez mais insuportável conduzir uma rotina em desalinho com este meu ser, que é único, puro e raro.

Tenho serenidade e sei que tenho que seguir de uma forma lógica nesta transição, para que não me perca nesta trilha.

Vou afiar o meu facão…

 

25 de junho

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